Anti-não
A gente gosta do anti.
Antipalco.
Anti-rolê.
Anti-festa.
Não porque queremos ser contra tudo (às vezes até que sim).
Mas também porque desconfiamos das coisas prontas.
Dos lugares marcados.
Das funções dadas.
Do jeito certo de fazer.
Na Maracutaia, uma piscina virou Antipalco.
Sem água.
Sem sem nado.
Sem artista acima e público abaixo.
Afogamentos apenas artísticos.
Uma festa pode ser mais que consumo.
Um rolê pode ser mais que distração.
Uma casa pode ser a mais interessante galeria.
Quem assiste também pode criar.
Quem nunca tocou pode colocar um disco.
Quem nunca se chamou de artista pode fazer arte.
O anti entra justamente aí.
Como desvio.
Como ruído.
Como uma pequena fresta antissistêmica no meio da cidade.
Tem alguma coisa de esquizo nisso (não acha, Tatha!?).
Tirar as coisas do lugar onde disseram que deveriam estar.
Desoperar como disseram que deve ser.
Deixar o desejo escapar pelas bordas. Afinal, ele não cabe mais no pote que o mercado vendeu, então ele transborda.
Inventar outros usos para as coisas, para os corpos.
Outras relações.
Outras maneiras de estar junto.
Há uma desterritorialização aqui. Tiramos a função utilitária e capitalista dos “rolês” e injetamos pura potência de invenção. Resistimos desoperando a máquina urbana.
O anti que interessa pra gente não é negação.
E quando é, é a negação da negação.
Não significa apenas dizer "não" a algo, mas um cancelamento que ao mesmo tempo preserva e eleva o conteúdo anterior.
Um retorno a uma forma anterior, mas em um nível superior e enriquecido de desenvolvimento (Viva Marx!)
É possibilidade.
É olhar para aquilo que parece imutável e perguntar: e se fosse de outro jeito?
Anti-festa porque não queremos só mais uma festa.
Anti-rolê porque não queremos só mais um rolê.
Antipalco porque nunca foi só sobre quem está tocando.
A Maracutaia, como diria Vinhota, talvez seja: “UMA RACHA!”
Imperfeita, barulhenta, caótica, colorida, livre e se provando possível.
Uma fresta antissistêmica por onde a vida consegue escapar e ser “só” vida.
Perdeu os rolês?
Fica triste não, esse final de semana tem mais!
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SEXTA BÁSICA #40
ACENDE O FAROL V.6