Ninguém some, nada para.
A militância não descansa e isso parece um filme.
Após todo o furor da Surucutaia, foi hora da militância maracutaiana descansar e celebrar seus seis meses de (des)construção, convocando os principais DJs que amplificaram as ideias da Maracutaia através de sets sonoros nos últimos 180 dias.
Na ordem dos mergulhos do anti-palco, Brasiliana abriu os trabalhos, seguida por Kizo, Toni, Exu, Cultsonora e Xapa, o DJ residente da Maracutaia. De brasilidades a soul, de psicodelia a samba, a piscina mais quente de Ribeirão Preto transbordou gingado, melodias raras e tesão sonoro aos ouvidos dos corpos e almas presentes. Foram seis horas de pura vibração, literalmente, já que o evento também marcou a inauguração de uma caixa de grave, algo que, segundo os presentes, levou a experiência musical para outro patamar.
Como toda a instalação elétrica também foi renovada, esse foi o primeiro encontro sem "paradas" no som, o que já era algo de costume para os frequentadores assíduos da Maracutaia: "Essa é a sétima vez que venho aqui, e a primeira em que o som não falha. Achei muito bom terem esse cuidado, mas confesso que as paradinhas davam um frio na barriga de estar acontecendo algo diferente e proposital, que hoje não senti. Mas agora entendi que não era proposital (risos), isso é grave!", elogia e lamenta Ingrid.
No anti-palco, além das 16 toneladas do time de DJs presentes, outra atração de peso foi a exposição "Martelo", que proporcionou aos visitantes uma viagem artística e temporal pelos 15 rolês da Maracutaia através dos cartazes de divulgação assinados por Ariel Gricio. "Foi foda ver a galera apontando esses cartazes, comentando sobre os eventos e relembrando boas e recentes memórias. Se isso é a celebração dos seis meses, imagine como será a de cem anos, como disse o Rennan", comentou o artista.
Outro ponto alto da noite foi um flagra do ponto de vista de uma cerveja não escolhida pelas mãos de Jesus, através de uma fotografia. Momento eternizado que levou todos a questionarem sobre ser ou não prioridade diante do filho de Deus. Um pequeno registro para a Maracutaia, um grande registro para a humanidade. "Eu jurava que ia ser escolhida, eu estava trincando, geladíssima, mas ainda assim não fui eu. Mas Deus sabe o que faz. Se não fui eu, não era pra ser", lamentou a lata de Heineken enquanto suava fria.
Algo curioso que aconteceu durante o rolê foi a preferência por fotografias de pés. Não sabemos se isso é uma nova moda da geração millennial ou mera casualidade. Fato é que diversos cliques da Máquina Registradora foram feitos demonstrando que esses jovens seguem de pé o rolê todo e exibem isso.
E quando a noite começava a chegar ao fim, a organização foi avisada de que uma jovem (pasmem) havia desaparecido nas dependências da Maracutaia. Imediatamente, a equipe de buscas, liderada por Dora (a aventureira), começou a caçar a jovem camponesa da cidade de Fruta Preta: "A Maracutaia é grande, mas não é duas (ainda). Ninguém some hoje, duende nenhum vai levar nada nem ninguém daqui, meu isqueiro ainda tá no meu bolso, então vamos encontrá-la", garantiu a líder da equipe de buscas. Uma espiada aqui, uma olhadinha ali, um toc-toc por lá e bingo!
A jovem havia se perdido nos labirintos libidinosos da Maracutaia com seu afeto, mas foi encontrada e entregue em segurança à sua mãe, que a esperava tranquilamente no piso superior: "Absolute cinema", reagiu a mãe sorridente ao reencontrar a jovem.
Após o encerramento da noite, uma conclusão: os duendes não levaram nada nem ninguém hoje. Que tal convidarmos eles para o próximo rolê?
Então, anota aí: dia 11 de outubro — Duende Fractal.
Repete comigo: ARTE!