quem segura a escrolada

Ao passar dos anos temos presenciado o real desamparo de quem produz cultura. Hoje quando falamos de produção cultural ou se pensa em uma pequena produção independente ou na mais enfadonha propaganda ao agronegócio, mineradoras e lobby mercadológico.

Durante toda história convivemos com as tentativas de  regular a produção popular, daí os anseios por expressão e arte ganharam o nome de Cultura, que anteriormente significava plantio monocultor. Somente no século XIX passou a englobar as características de um grupo social.

Reduz-se então, a produção comunal ao plantio extrativista, e o artista disputa com aqueles que detém os meios de disseminação artístico-cultural, rezando diariamente para que ele aceite sua oferenda ao algoritmo, evocando a coragem do sátiro Marsias ao competir com Apolo. 

Já o absurdo não convive mais em local jocoso, mas à distância de uma escrolada na tela para se tornar entretenimento, que será consumido rapidamente e repousará na latrina do doomscrolling.

Frutas Malhadas 

scroll

Homens brancos 

são aclamados ao

bombardear crianças 

scroll

I.A do Flávio Bolsonaro de Cuequinha Branca 

scroll

Marketing infantil


Num Brasil onde existem mais celulares que pessoas e 70% da população tem uma “identidade virtual” (datareportal, 2025). Os artifícios para subversão social como a sensualidade, subjetividade e profanação, agora sucumbem “à moral e aos bons costumes”. 

Não basta a coragem de produzir arte e cultura é necessário a dignidade de não se aceitar mercadoria, pois o absurdo já não choca.



Dionísio Guedes

Consumidor de vinhos baratos, fã de botecos e batuqueiro de ocasião.

Próximo
Próximo

O Grito