Revolução é o Sucesso!

Rádio Libertadora, arte e camaradagem.

No dia 09 de agosto, sábado, reuniram-se em volta do anti-palco cerca de 200 camaradas sedentos por revolução — seja ela cultural, artística, armada ou pessoal. Com a presença visual (e, por que não, espiritual) de Marighella e Che Guevara, os militantes que adentravam a Maracutaia — o que, neste dia, poderíamos chamar de quase uma convenção — estavam bastante agasalhados e exibiam orgulhosos suas camisetas, chapéus e outros acessórios que flamejavam o espírito revolucionário da noite, com referências a Cuba, Che, URSS, Lula e outros.

O cronograma da noite trazia uma playlist que introduziu o tema aos camaradas e, muito elogiada, acabou se tornando pública.

Além das já conhecidas e clássicas ativações da Maracutaia, uma TV de exatas 14 polegadas, conectada a um emulador de Super Nintendo, esteve disponível para os convidados logo aos pés da escada circular, gerando uma onda nostálgica no rolê debaixo do pé de acerola.

A noite fria, mas aquecida pela chama revolucionária, marcava aproximadamente 13 °C quando o DJ Toni Manero deu início à sua discotecagem, assumindo o comando da Rádio Libertadora. O calor da revolução musical de Toni animou os presentes e impulsionou um alto consumo de Catuaba — responsável por ¼ de todos os drinks da noite. Depois do camarada Toni, o fuzil melódico caiu nas mãos do DJ Xapa, que assumiu os toca-discos e promoveu as horas finais de artilharia pesada da noite.

Com o frio soviético chegando às trincheiras da Maracutaia, os camaradas acompanharam uma leitura dramática (feita de joelhos — sabe-se lá por quê) do Manifesto da Luz Acesa, impresso e distribuído através do Mini-Manual do Guerrilheiro Criativo. Também ecoaram outras falas emanadas dos convidados, como: "Palestina Livre!", "A Revolução não será televisionada" e "Gente é feito pra ser feliz", além de dois poemas do Poeta de Santos e uma vivência de arrepiar, narrada por Michael Douglas (Jesus, para alguns), que relembrou os assombrosos tempos da COVID-19 e todos os desafios diante do genocídio promovido pelo ex-presidente do Brasil.

Durante o evento, uma jovem apaixonada por Maiakovski e que em sua juventude revolucionária já invadiu o palco do Bob Dylan e o tocou fisicamente (juro!), assumiu a máquina registradora (uma Cybershot) e caminhou livremente por entre os presentes, posicionando-se diante deles e garantindo: "Foto pro blog!".

Após a execução do Karaokê do Apocalipse — dificultado pela Vivo —, na saída dos últimos camaradas, uma jovem de aproximadamente 1,62m declarou, no corredor suspeito da saída da Maracutaia: "Põe qualquer pessoa de 1,70 do meu lado que vai ter a mesma altura que eu." A frase levou todos a um momento de reflexão sobre as últimas seis horas daquela noite. A analogia não intencional daquela mulher revelou o sentido de tudo: quando se trata de revolução, tamanho não é documento, afinal de contas: Revolução é o sucesso!

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