Existe um cansaço que não dorme

e mora em nós.

O capitalismo descobriu uma coisa perigosa: não basta explorar o trabalho.
É preciso ocupar também a imaginação.

Se antes, moiam nossa carne, hoje também fritam nosso cérebro.

Organizaram nossos desejos.
Catalogaram nossos afetos.
Personalidade agora é estética.
Presença é algoritmo.
Criatividade é ativo
Subjetividade: dado.

Roubaram até o barulho. E nos obrigam as migalhas do silêncio.

Agora tudo precisa destacar!
Tudo precisa produzir.

A foto tem que ser vista no mesmo instante do click.
A foto tem que ser compartilhada no mesmo instante do click.
A foto precisa ser comentada, compartilhada, divulgada, ampliada, disseminada no mesmo instante do click.

Click!
Tudo precisa circular rápido o suficiente para não morrer soterrado pelo excesso?

Vivos e enterrados?

Uma violência quase invisível em viver apenas para funcionar. (E funciona?)

Alguém soltou uma faísca: toda criação verdadeira carrega algo de insurgência. Criar é romper cercas. Abrir passagem. Produzir mundos que ainda não existem completamente.

Ahhh Wark, você nos ensina tanto…

Mas o sistema aprende rápido. Ele captura até a rebeldia.

Transforma contracultura em tendência.
Transforma arte em campanha.
Transforma diferença em nicho de mercado.

E talvez seja por isso que encontros reais ainda assustem tanto…

Talvez revolucionário hoje não seja parecer forte.
Talvez revolucionário seja voltar a ser sensível.

Permitir-se criar algo imperfeito.
Permitir-se experimentar o mundo mais do que consumi-lo.

Ainda existem lugares onde isso sobrevive?

Talvez em pequenas brechas no concreto açucarado da vida cotidiana.
Frestas coloridas abertas no meio do centro da cidade.
Territórios onde a arte não pede permissão para existir.

Lugares onde desconhecidos se reconhecem.
Onde a madrugada não serve para produzir mais, mas para sentir mais.

Porque no fundo existe algo que o sistema jamais conseguiu capturar completamente:
o desejo humano de viver de verdade.

E talvez alguma revolução comece exatamente aí.

Perdeu os rolês?

Fica triste não, esse final de semana tem mais. Confira a nossa agenda abaixo e todas as fotos dos últimos rolês.

Sexta- Feira, 22 de Maio, à partir das 20h - Entrada Gratuita

SEXTA- BÁSICA VOL. 27 | Pintura em Ecobag e Panod e Prato

Sábado, 23 de Maio, à partir das 20h

Baile do Catuaba | El verdadero baile latino
C/ Ana Mauê, DJ Vinhota e DJ Ana Colombiana

Anterior
Anterior

Cão que late e morde

Próximo
Próximo

A Maracutaia não é um lugar.