Lula inventou a Maracutaia?

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Muito antes de ocupar o Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva já fazia da palavra maracutaia uma arma política. Nos discursos inflamados do movimento sindical e nas disputas dos anos 1980, o termo servia para denunciar negociatas, acordos feitos por baixo dos panos, falcatruas e outras especialidades bastante tradicionais da política brasileira.

Mas foi especialmente durante a campanha presidencial de 1989 que a palavra ganhou projeção nacional. Lula a utilizava em seus discursos para denunciar as tramoias do poder, ajudando a espalhar pelo país uma expressão que, até então, era pouco conhecida em muitas regiões.

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A história é tão curiosa que virou objeto de investigação de jornalistas e linguistas. Em 2025, uma pesquisa acadêmica voltou a destacar a importância de Lula na popularização do termo. A Rádio Novelo também dedicou parte do episódio Certidão de Nascimento a investigar essa trajetória.

Lula não inventou a palavra. Mas ajudou a transformá-la em patrimônio do vocabulário político brasileiro.

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E há uma ironia deliciosa nisso tudo: uma palavra tão associada à denúncia das tramoias do poder acabou batizando um espaço dedicado justamente àquilo que o poder tantas vezes tenta domesticar: a arte, a liberdade e o amor.

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Mas nossa Maracutaia também tem suas tramoias.

Conspiramos para que pessoas desconhecidas se encontrem. Tramamos maneiras de colocar arte nas mãos de quem nunca se considerou artista. Fazemos reuniões suspeitas regadas a música, ideias ousadas e uma quantidade considerável de liberdade.

Pior: incentivamos as pessoas a perder tempo criando coisas que talvez nunca sejam vendidas. Um verdadeiro atentado contra a produtividade nacional.

Num mundo em que tudo precisa dar lucro, render conteúdo, virar empreendimento ou melhorar o currículo, insistimos na indecência de fazer arte simplesmente porque sim.

E ainda temos a audácia de chamar isso de trabalho, cultura e resistência.

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Talvez Lula tenha ajudado a espalhar a palavra. Nós resolvemos dar a ela um endereço, abrir as portas, ressignifica-la e deixar a confusão acontecer.

Porque reunir gente para pensar, criar, dançar, amar e desobedecer às expectativas do mercado, também é maracutaia, mas das boas!

Portanto seguimos: Arte, Liberdade e Amor. E nenhuma neutralidade diante de qualquer injustiça.

A nossa Maracutaia é 13!

 

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