Festa é política. Arte é política. O silêncio também.
A Maracutaia não é neutra. Somos de esquerda, somos o povo e seguiremos ao lado dos nossos camaradas. De quem trabalha, de quem luta por direitos e de quem acredita que a vida precisa ser mais do que trabalhar para sobreviver.
Não acreditamos na neutralidade diante da injustiça. Tampouco nessa ideia de que política estraga a festa. O que estraga a festa é a exploração, a desigualdade, o preconceito e a falta de liberdade.
É preciso defender a alegria.
Mario Benedetti escreveu sobre defendê-la como uma trincheira, um princípio, uma bandeira, uma certeza e um direito. E talvez poucas coisas sejam tão urgentes quanto isso agora.
Não uma alegria anestesiada, que dança para esquecer o mundo. Mas uma alegria que se recusa a entregá-lo. Que encontra no encontro, na música, na arte e no afeto uma maneira de continuar lutando sem deixar que nos roubem também o prazer de estar vivos.
Porque a luta não termina numa eleição. Não termina numa vitória e tampouco numa derrota. Ela continua na segunda-feira, no trabalho, nas ruas, nas escolas, nos espaços culturais e nas pequenas escolhas que fazemos coletivamente.
E há algo que precisamos compreender: não basta conversar com quem já concorda conosco.
É confortável permanecer entre iguais, repetir nossas convicções e receber aplausos de quem já está convencido. Mas nenhuma transformação profunda acontece dentro de uma bolha impermeável.
Precisamos atravessá-la. Escutar quem pensa diferente, disputar ideias sem desistir das pessoas, conversar com quem perdeu a confiança na política e, principalmente, com quem sequer foi votar. Não para oferecer sermões ou superioridade moral, mas para lembrar que a política não é uma abstração distante. Ela atravessa a geladeira vazia, a jornada exaustiva, o aluguel atrasado e a possibilidade de ter algum tempo para viver.
Convencer alguém a participar da vida política talvez comece muito antes de pedir seu voto. Começa quando essa pessoa percebe que também tem voz, que seus problemas não são fracassos individuais e que existe alguma possibilidade de construir um futuro diferente.
A Maracutaia é pequena diante de tudo isso. Sabemos. Não temos a pretensão de mudar o mundo com uma festa. Mas também não aceitamos a ideia de que uma festa não possa fazer parte dessa mudança.
Aqui, a arte não é decoração, a liberdade não é mercadoria e o amor não é apenas uma palavra bonita estampada na parede. São escolhas políticas, com todas as contradições e dificuldades que carregam.
Queremos continuar sendo uma ideia, um território, um lugar onde as diferenças se encontram, onde a cultura circula, onde o trabalho é reconhecido e onde a alegria não precisa pedir licença para existir.
Porque não queremos apenas sobreviver ao mundo que nos deram. Queremos participar da construção de outro.
E, enquanto isso, vamos seguir criando, discutindo, discordando, organizando, ocupando, dançando e defendendo a alegria. Sorrindo quando possível e lutando até quando pareça impossível!
Arte, Liberdade e Amor. E nenhuma neutralidade diante de qualquer injustiça. A Maracutaia é 13!
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SEXTA BÁSICA #46